Hanseníase
Hanseníase
Missionário leproso belga Padre Damien
Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que causa danos severos a nervos e a pele. A denominação hanseníase deve-se ao descobridor do microrganismo causador da doença, dr. Gerhard Hansen. O termo lepra está em desuso por sua conotação negativa histórica.
A lepra é uma doença contagiosa, que passa de umadermatológicos e neurológicos
que facilitam o diagnóstico. Pode atingir crianças, adultos e idosos de
todas as classes sociais, desde que tenham um contato intenso e
prolongado com bacilo. Pode causar incapacidade ou deformidades, quando
não tratada ou tratada tardiamente, mas tem cura. O tratamento
geralmente é fornecido por sistemas públicos de saúde (como o brasileiro
Sistema Único de Saúde).
pessoa doente, que
não esteja em tratamento, para outra. Demora de dois a cinco anos, em
geral, para aparecerem os primeiros sintomas. O portador de hanseníase
apresenta sinais e sintomas
Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que causa danos severos a nervos e a pele. A denominação hanseníase deve-se ao descobridor do microrganismo causador da doença, dr. Gerhard Hansen. O termo lepra está em desuso por sua conotação negativa histórica.
A lepra é uma doença contagiosa, que passa de uma pessoa doente, que
não esteja em tratamento, para outra. Demora de dois a cinco anos, em
geral, para aparecerem os primeiros sintomas. O portador de hanseníase
apresenta sinais e sintomas dermatológicos e neurológicos
que facilitam o diagnóstico. Pode atingir crianças, adultos e idosos de
todas as classes sociais, desde que tenham um contato intenso e
prolongado com bacilo. Pode causar incapacidade ou deformidades, quando
não tratada ou tratada tardiamente, mas tem cura. O tratamento
geralmente é fornecido por sistemas públicos de saúde (como o brasileiro
Sistema Único de Saúde).
Transmissão
A lepra é transmitida por gotículas de saliva. O bacilo Mycobacterium leprae
é eliminado pelo aparelho respiratório da pessoa doente na forma de
aerossol durante o ato de falar, espirrar, tossir ou beijar. Quase
sempre ocorre entre contatos domiciliares, geralmente indivíduos que
dormem num mesmo quarto.
A contaminação se faz por via respiratória, pelas secreções nasais ou
pela saliva, mas é muito pouco provável a cada contato. A incubação,
excepcionalmente longa (vários anos), explica por que a doença se
desenvolve mais comumente em indivíduos adultos, apesar de que crianças
também podem ser contaminadas (a alta prevalência de lepra em crianças é
indicativo de um alto índice da doença em uma região).
Noventa por cento (90%) da população exposta à bactéria tem resistência ao bacilo de Hansen (M. leprae),
causador da lepra e conseguem controlar a infecção sem sintomas. As
formas contagiantes são a lepromatosa/virchowiana/multibacilar e a
limítrofe/boderline. Após 15 dias de tratamento os portadores já não
transmitem mais a lepra.1
Sinais e sintomas
Mão de indivíduo infectado com lepra limítrofe/boderline.
Essa bactéria, assim como o da tuberculose, é bastante lento para se
reproduzir a ponto de causar sintomas, de modo que o tempo de incubação
após a infecção é de 2 a 7 anos.
Um dos primeiros efeitos da lepra, devido ao acometimento dos nervos, é a supressão da sensação térmica,
ou seja, a incapacidade de diferenciar entre o frio e o quente no local
afetado. Mais tardiamente pode evoluir para diminuição da sensação de
dor no local.
A lepra indeterminada é a forma inicial da doença, e consiste na
maioria dos casos em manchas de coloração mais clara que a pele ao
redor, podendo ser discretamente avermelhada, com alteração de
sensibilidade à temperatura, e, eventualmente, diminuição da sudorese
sobre a mancha (anidrose).
A partir do estado inicial, a lepra pode então permanecer estável (o
que acontece na maior parte dos casos) ou pode evoluir para lepra
tuberculóide ou lepromatosa, dependendo da predisposição genética
particular de cada paciente. A lepra pode adotar também vários cursos
intermediários entre estes dois tipos de lepra, sendo então denominada
lepra dimorfa.
Lepra tuberculoide ou paucibacilar
Rosto com mancha descolorada e insensível a dor de lepra tuberculoide.
Esta forma de lepra ocorre em pacientes que têm boa resposta
imunitária ao bacilo de Hansen, capaz de conter a disseminação do bacilo
através da formação de agrupamentos de macrófagos denominados "granulomas".
Neste tipo de lepra, as manchas são bem delimitadas e assimétricas e
geralmente são encontradas apenas poucas lesões no corpo. Há
insensibilidade a dor progressiva conforme os nervos periféricos são
lesionados. Exames com lepromina dão positivos. O termo paucibacilar
(poucos bacilos) é referência a contagem de bacilos ao microscópio de
amostras subcutâneas.2
Lepra limítrofe ou boderline
Perna com lesões de lepra limítrofe (boderline).
É a forma mais comum, um tipo intermediário entre boa e má resposta
imune. As lesões cutâneas assemelham às da lepra tuberculoide, mas são
mais numerosos e irregulares. Grandes manchas podem afetar um membro
inteiro e ocorre progressiva fraqueza e perda de sensibilidade nos pés,
mãos e rosto. Este tipo é mais instável e pode converter-se em
lepromatosa ou reverter tornando-se mais parecido com a forma
tuberculoide.2
Lepra lepromatosa ou multibacilar
É a forma mais grave e ocorre nos casos em que os pacientes têm pouca
defesa imunitária contra o bacilo. Ocorrem lesões simétricas de pele,
nódulos, placas, espessamento da derme, congestão nasal com sangramento.
Os pelos de sobrancelhas e cílios caem (alopecia
facial). Geralmente a perda de sensibilidade é mais lenta. Causa
deformações cada vez mais graves em mãos, pés, glúteos e rostos,
frequentemente requerendo amputações de dedos.2
Epidemiologia
Incidência mundial de lepra (em 2003). Brasil possui mais de 90% dos casos da América Latina.
Além do homem, outros animais de que se tem notícia de serem susceptíveis à lepra são algumas espécies de macacos, coelhos, ratos e o tatu. Este último pode servir de reservatório e há casos comprovados no sul dos Estados Unidos de transmissão por ele. Contudo a maioria dos casos é de transmissão entre seres humanos por contato íntimo prolongado.
A lepra ataca hoje em dia ainda mais de 12 milhões de pessoas em todo
o mundo. Há 700.000 casos novos por ano no mundo. No entanto em países
desenvolvidos é quase inexistente, por exemplo a França conta com apenas
250 casos declarados. Em 2000, 738.284 novos casos foram identificados (contra 640.000 em 1999). A OMS (Organização Mundial de Saúde) referencia 91 países afetados: a Índia, a Birmânia, o Nepal totalizam 70% dos casos em 2000. Em 2002, 763.917 novos casos foram detectados: o Brasil, Madagáscar, Moçambique, a Tanzânia e o Nepal
representam então 90% dos casos de lepra. Estima-se que seja entre 2 e 3
milhões o número de pessoas severamente descapacitadas pela lepra em
todo o mundo.3
O Brasil foi o único país das Américas que não conseguiu a meta de
reduzir o número de novos casos para menos de 1 em cada 10.000 pessoas,
prejudicando a erradicação nos países vizinhos.4
Tratamento
Rosto com engrossamentos típicos de lepra lepromatosa.
No mundo existem muitos leprosários para o abrigo e a cura dos
doentes de Hanseníase. A Igreja administra no mundo 547 leprosários,
segundo dados do último Anuário Estatístico da Igreja. Eles são assim
divididos: na África 198, na América 56 (total), na Ásia 285, na Europa 5
e na Oceania 3. As nações com o maior número de leprosários são: na
África: República Democrática do Congo (32), Madagascar (29), África do
Sul (23); na América do Norte: Estados Unidos (1); na América central:
México (8); na América central-Antilhas: República Dominicana (3); na
América do Sul: Brasil (17), Peru (6), Equador e Colômbia (4); na Ásia:
Índia (220), Coreia (15); na Oceania: Papua Nova-Guiné (3). (Agência
Fides 26/01/2013).
Hoje em dia, a lepra é tratada com antibióticos, e esforços de Saúde Pública são dirigidos ao diagnóstico precoce e tratamento dos doentes, à ajuda com próteses
aos pacientes curados e que sofreram mutilações e à prevenção voltada
principalmente para evitar a disseminação. O tratamento é eminentemente
ambulatorial.
Apesar de não mortal, a lepra pode acarretar invalidez severa e/ou
permanente se não for tratada a tempo. O tratamento comporta diversos
antibióticos, a fim de evitar selecionar as bactérias resistentes do
germe. A OMS recomenda desde 1981 uma poliquimioterapia (PQT) composta de três medicamentos: a dapsona, a rifampicina e a clofazimina.
Essa associação destrói o agente patogênico e cura o paciente. O tempo
de tratamento oscila entre 6 e 24 meses, de acordo com a gravidade da doença.
Quando as lesões já estão constituídas, o tratamento se baseia, além da poliquimioterapia, em próteses, em intervenções ortopédicas,
em calçados especiais, etc. Além disso, uma grande contribuição à
prevenção e ao tratamento das incapacidades causadas pela lepra é a
fisioterapia.
Em 1987 o médico Venezuelano Jacinto Convit foi reconhecido com o prémio Príncipe De Asturias pelo descobrimento de uma vacina curativa da lepra5 . O descobrimento também obteve reconhecimento pela fundação Nobel que decidiu nominá-lo para o prémio de Medicina do ano 19886 .
Talidomida
Malformações congênitas devido ao uso de Talidomida pelas mães no período gestacional resultavam em crianças nascidas com membros atrofiados - focomelia,
especialmente os membros superiores. Muitas dessas malformações foram
correlacionadas ao uso do medicamento Talidomida durante a gravidez para
controle de enjoos. Atualmente, o medicamento é usado no tratamento da lepra, lúpus sistêmico e AIDS. Para conseguir é necessário de documentação comprovando e com controle rigoroso do receituário, sendo proibido a venda em farmácias, só encontrando em farmácias regionais das secretarias estaduais de saúde, com liberação para casos muito restritos.7 8
No Brasil
No Brasil, a ONG MORHAN 9 realiza um trabalho contra o preconceito e ajuda aos portadores da doença.
Indenização às vítimas no Brasil
De acordo com o decreto federal 6.168, de 24 de julho de 2007,10
os pacientes internados compulsoriamente e isolados em hospitais
colônias de todo o país, até o ano de 1986, terão direito à pensão
vitalícia mensal no valor de 750 reais.
Para receber o benefício, os pacientes precisam apresentar documentos
que comprovem a internação compulsória e preencher um requerimento de
pensão especial.11
Em Portugal
Os leprosos na Idade Média, nunca foram tidos em Portugal com grande
horror. Não eram em geral obrigados a usar marcas de identificação
especiais nem a servir-se de guizos ou com campainhas quando
deambulavam. 12
Na Idade Média, Portugal também não foi muito afetado por essa doença,
talvez ao menor número de contactos com os Cruzados. O número de
gafarias/Leprosarias nunca conheceu a amplitude que atingiu noutros
países da Europa. O número de gafarias nunca excedeu as 60, o que
correspondia à relação de uma para cada 15 000 habitantes, percentagem
mínima, comparada com as de França ou de Inglaterra.13
Portugal foi dos últimos países a pôr fim ao internamento compulsivo de doentes com lepra em 1976.
Em 1985, com o início dos centros de saúde, todos os leprosos tiveram
alta colectiva mas alguns não quiseram sair. Outros, pediram para
voltar para conseguirem suportar os tratamentos às sequelas da doença.
Na actualidade, o número de casos é muito diminuto e reside quase
exclusivamente em casos importados. A incidência da lepra em Portugal,
com 11 novos casos registados em 2008, está sobretudo associada às
migrações, nomeadamente de África e do Brasil, sendo este o segundo país
do Mundo com mais casos. 14 .
Em Portugal, os doentes são tratados com antibióticos "em
ambulatório", ao contrário do que sucedia nas décadas de 1940 e 1950,
quando eram sujeitos a internamento compulsivo e a isolamento.
O actual Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro, em Tocha, concelho de Cantanhede
é o herdeiro do antigo Hospital Rovisco Pais que era uma leprosaria que
albergava leprosos. Depois de transformado em centro de medicina em 1996, este centro mantém 18 ex-leprosos que foram excluídos da sociedade.15
História
O uso de sino era obrigatório para os leprosos na Idade Média.
Hipócrates
utilizou pela primeira vez a denominação λέπρα (derivado de λέπω
«descamar») quando descreveu manchas brancas na pele e nos cabelos.
Entretanto, em nenhum momento informou sobre manifestações neuronais;
provavelmente estivesse se referindo ao vitiligo. A denominação lepra é utilizada na Bíblia hebraica como tsaraáth tendo o significado de desonra, vergonha, desgraça. No Egito Antigo, há referências a essa doença há mais de três mil anos, em hieróglifos de 1350 a.C. A Bíblia contém passagens fazendo referência ao nome lepra,
mas este termo foi utilizado para designar diversas doenças
dermatológicas de origem e gravidade variáveis. A antiga lei israelita
obrigava os sacerdotes
a saberem reconhecer a doença. As descrições mais precisas da lepra,
porém, datam de 600 a.C. (Tratado Médico Indiano de Sushrata Samhita
denomina-a kushta) onde já eram descritos dois grupos principais: Vat Rakta, que apresentava manifestações predominantemente neurais; e Aurun Kushta onde eram observadas características virchowianas.[carece de fontes]
A lepra foi durante muito tempo incurável e muito mutiladora, forçando o isolamento dos pacientes em gafarias, leprosarias (português europeu) ou leprosários (português brasileiro), principalmente na Europa na Idade Média, onde eram obrigados a carregar sinos
para anunciar a sua presença. A doença deu, nessa altura, origem a
medidas de segregação, algumas vezes hereditárias, como no caso dos Cagots no sudoeste da França.[carece de fontes]
No Brasil
existiram leis para que os portadores de lepra fossem "capturados" e
obrigados a viver em leprosários, a exemplo do Sanatório Aimorés (em Bauru, SP),nota 1 o Hospital do Pirapitingui (Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes) e o Hospital Curupaiti em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A lei "compulsória" foi revogada em 1962,
porém o retorno dos pacientes ao seu convívio social era extremamente
dificultoso em razão da pobreza e isolamento social e familiar a que
eles estavam submetidos.
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